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terça-feira, 6 de outubro de 2009

como funciona a corrupção (2)


Um Presidente de Câmara depois de quatro anos em que testou o sentimento de impunidade que o assaltava, resolveu juntamente com o irmão criar uma sociedade de compra e venda de imóveis.

Era óbvio. Na sua qualidade de Presidente era conhecedor, através dos assessores e amigos ligados ao urbanismo, quais os projectos de desenvolvimento para a cidade a que presidia. Possuía, pois, um conhecimento privilegiado do que se iria passar daí a 10, 15 anos. Ninguém mais no burgo tinha acesso a essa informação e quem o tivesse não tinha qualquer possibilidade de se servir dela, apenas porque o negócio já estava destinado e montado.

Era um negócio de milhões. Leu bem, leitor, milhões.

Não havia dinheiro disponível para adquirir tanto terreno, ainda que a preços irrisórios, por serem destinados a agricultura.

A necessidade aguça a inteligência e, como nestas coisas aparecem sempre interessados, o convite foi dirigido a um empresário endinheirado que prontamente aceitou e adquiriu uma quota na sociedade dos irmãos.

As propostas começaram a ser feitas aos proprietários. Ninguém suspeitava que nem todos os terrenos adquiridos se destinavam ao Parque da Cidade. O Parque serviu de fachada a urbanizações criadas nos seus limites.

Por cada metro quadrado comprado, o mesmo era vendido a preços 100 vezes superiores.

As margens de lucro eram assustadoras.

O dinheiro era tanto a entrar no património que foi necessário abrir contas fantasma, para além daquelas já abertas em nomes de familiares, como o Gustavo, que em 2001 tinha mais de cem mil contos no saldo de uma conta à ordem.

Há autarcas que foram constituídos arguidos por serem autores de negócios com estas características.

À Póvoa de Varzim nunca chegou uma investigação a sério e o sentimento de impunidade foi crescendo.

É tal esse sentimento que ele quer obrigar os poveiros a aturá-lo por mais quatro anos.

Ele é Macedo Vieira, o pior autarca de Portugal.












segunda-feira, 5 de outubro de 2009

como funciona a corrupção (1)




Relativamente ao fenómeno da corrupção, acredito que muitos leitores pensarão que é um assunto de políticos, empresários e gente rica e, a existir, não vêm como os possam afectar no seu dia-a-dia.

Nada mais errado como passo a demonstrar.

Vamos pegar num exemplo de corrupção:

Uma empresa construtora pretende obter licença de construção para um mega empreendimento de cerca de 100 apartamentos luxuosos, como é normal dizer-se, para o qual necessita de agilizar os procedimentos de forma a no mais curto espaço de tempo possível conseguir terminar a obra.

Para obter esse desiderato há que remover tudo aquilo que possa constituir entrave ao bom andamento dos trabalhos.

No entanto, no caminho surge o vereador responsável pelo pelouro das obras particulares que começa logo por dizer que agora existe muita fiscalização do Tribunal de Contas, que a Inspecção Geral da Administração Local verifica página a página os processos, que não sabe se a licença será emitida, até porque na primeira abordagem já viu algumas irregularidades.

O responsável pela obra já sabe. Tem que se mexer por outra via e, muito cautelosamente, começa por dizer que a obra é fundamental para a sobrevivência da empresa, que até estão dispostos a colaborar com a autarquia no que ela precisar, que até nem se importam de oferecer uma prenda ao Sr. Vereador de quem ouviram dizer muito bem.

O vereador apresenta a proposta para aligeirar tudo: o melhor apartamento do empreendimento terá de ser para ele, no valor de 500 000 Euros.

E assim se faz o negócio.

Agora pensará o leitor: em que me prejudica o facto de um empreiteiro querer oferecer um apartamento de luxo a um vereador? Não perco nem ganho nada. Isso é lá com eles. Sai do bolso do empreiteiro.

Nada mais errado.

Então o leitor não sabe quem vai pagar o apartamento ao vereador?

Não?

És tu seu burro. Tu que compraste apartamento no mesmo edifício e contraíste um empréstimo no banco, sobre o qual incidiu uma hipoteca que te mantém refém para o resto da tua vida, que te tira o sono, que te faz discutir com a tua mulher por faltar dinheiro no fim do mês, que te sobressalta pelo aumento das taxas de juro e spreads bancários. És tu quem paga.

Como? É fácil.

O empreiteiro ofereceu o apartamento ao vereador, mas os restantes em vez de custarem X vão passar a custar Y, de forma a cobrir o prejuízo que o empreiteiro teve com a oferta de carácter corrupto.

É assim que funciona a corrupção. Somos todos nós quem a sustenta.

Na Póvoa de Varzim temos um vereador perito nesta matéria, Aires Pereira, que possui apartamentos em tudo o que é empreendimento.












sexta-feira, 7 de agosto de 2009

na póvoa de varzim vale tudo


Esta placa que o leitor vê na foto está exposta na Rua da Junqueira, num prédio recentemente remodelado em frente à Pastelaria Flores.

Não sei se tem interesse contar a “estória” deste prédio. Mais importante é denunciar que a obra esteve em andamento durante longos meses sem qualquer licença emitida pela Câmara, o que deveria levar esta a aplicar a devida coima.

De qualquer forma lá está esta placa, a qual no género e informação se encontra afixada em mais obras desta cidade o que é revelador do caos e desrespeito pela lei, no que é activa colaborante a autarquia.

Pasme-se que durante o mês de Agosto em que milhares de pessoas visitam a cidade, foram autorizadas obras em plena Avenida dos Banhos, com o consequente congestionamento do trânsito.

É a Póvoa no seu melhor.

E onde está Macedo Vieira?

Em férias de um mês no Algarve. Fico admirado quando ele elogia de forma veemente a qualidade de vida da Póvoa de Varzim.








quarta-feira, 5 de agosto de 2009

isaltino morais condenado




A esta hora deve pensar Macedo Vieira em férias relaxadas no Algarve, exibindo o último modelo da sua sunga brasileira:

"Ainda bem que nunca me deu para a feijoada, senão também era arguido".

domingo, 31 de maio de 2009

desculpe drª maria josé morgado... ...

... ...mas essas palavras são minhas e aplicam-se integralmente à cidade da Póvoa de Varzim e aos seus autarcas.

Assim sendo, quer-se mais investigação e menos falatório, porque de falatório já estamos todos fartos.

Apenas um extracto:

«Através do tráfico de informações privilegiadas conseguem adquirir grandes parcelas de terreno ao preço da chuva, muitas vezes em locais que se vêm a tornar valiosos em função de alterações de planos de urbanização ou de pormenor ou mesmo do PDM», acrescentou.
Desta forma, diz Maria José Morgado, quem entra nestes esquemas consegue vender terrenos cem ou 200 vezes mais caro do que comprou numa diferença de semanas ou meses, uma prática que se tem vulgarizado e não tem sido penalizada, por ser difícil de detectar.

Leia e ouça o resto na TSF aqui.

Só para lembrar.
























quarta-feira, 6 de maio de 2009

guerra na associação comercial

Momento em que Leroy & Brandão entra de rompante nas instalações, acompanhado do seu advogado, no intuito de impugnar o já agendado acto eleitoral.


Depois de anos de gestão ruinosa da associação centenária, em que só a intervenção da Polícia Judiciária poderia trazer luz sobre as actividades de Fernando Barbosa e seus colaboradores, eis que surgem duas clínicas médicas a disputar de forma acesa a liderança da instituição, em eleições que se vão realizar no próximo dia 07, sucedendo à descarada nulidade que constituiu o mandato de Luís Rocha e do seu cunhado, o vice-presidente para a formação e seus dinheiros.


Incrédulos perguntarão os poveiros: e porquê duas clínicas médicas?

Não sei. Vão investigar.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

mais brochuras anti-corrupção!

Por empurrão dos leitores a minha escrita na blogosfera resvalou para o enriquecimento ilícito pelos políticos locais.

De facto, lá atrás em 2005, tudo não passava de uma grande paródia sobre o estilo azeiteiro de Macedo, a forma pretensamente arguta de Aires e o reles convencimento de Diamantino de que a Póvoa de Varzim era uma cidade activa no aspecto cultural.

Não estou arrependido de ter publicado as informações transmitidas, mesmo não possuindo provas, pelo facto de os respectivos informadores possuírem estatuto privilegiado relativamente aos assuntos.

Um exemplo, amplamente abordado, foi o da conta bancária que o Macedo Vieira possuía em nome do filho Gustavo com mais de cem mil contos, cerca de 500 mil euros.

Como tive a informação na época como fidedigna, como a tenho agora, mais do que nunca, quando por todas as áreas da política e das finanças se noticiam casos de corrupção e de enriquecimento ilícito.

Finalmente, mas de forma algo medrosa, o Governo está disposto a criminalizar este tipo de comportamentos.

Sinceramente, estou convicto de que tudo vai ficar na mesma, não passando estas notícias de mero "show off", tal como quando o Governo há cerca de dois anos editou e distribuiu esta brochura.






segunda-feira, 30 de março de 2009

isaltino quer macedo a depôr



O presidente da Câmara de Oeiras não gostou das perguntas do Ministério Público e acusou o magistrado de não conhecer "a realidade da vida". Isaltino vai pedir a Jorge Sampaio para depor como testemunha de defesa.
Tudo isto porque Isaltino Morais que promoveu uma geminação com a ilha cabo-verdiana de São Vicente, terá recebido um terreno nessa mesma ilha, explicando a doação com a forma simpática com que os municípios encaram a geminação.
Lá está!
Isaltino está errado quanto à convocação de Jorge Sampaio. Quem Isaltino deveria convocar como testemunha de defesa deveria ser Macedo Vieira e Luís Diamantino, os quais se safaram do processo crime ligado ao “caso Dourado”, porque estavam na época no Rio de Janeiro no âmbito da geminação e, por isso, segundo o nosso amigo Ministério Público, não sabiam que o Tone e o Aires estavam a praticar um crime de abuso de poder.
Alguém informe, por favor, Isaltino Morais sobre este aspecto.
Às vezes uma boa defesa faz a diferença.










quarta-feira, 25 de março de 2009

macedo vieira é o único!



“Há políticos pobres que ao fim de uns anos estão milionários”

“O objectivo tem de ser o de combater o negócio sujo do licenciamento urbanístico. Os critérios de aprovação não são objectivos: dá ideia que variam consoante o cliente e que caiem no domínio do cambão.”


Estas são palavras de Maria José Morgado em entrevista ao semanário “Sol”.

Eu sempre acreditei na palavra de Macedo Vieira, o Presidente da Câmara da Póvoa de Varzim que, em tempos, numa entrevista no “Comércio da Póvoa” afirmou que estava mais pobre do que se tivesse sido médico toda a vida.

Mas não acredito naqueles que o rodeiam.

É público que Macedo Vieira é um autarca pobre. Não tem carro pessoal, não tem casa própria, nunca constituiu uma sociedade que se dedicasse à compra e venda de imóveis, nunca foi nomeado Presidente de nada, nunca se viu notificado pelo IGAT para repor dinheiro recebido indevidamente, não tem contas bancárias milionárias, nunca meteu o filho na Câmara como funcionário a receber um vencimento acima da média quando nem na média se encaixa.

É o único Presidente da Câmara pobre, ao contrário do que pensa Peliteiro.








terça-feira, 24 de março de 2009

barracas e barraquinhas


De um leitor revoltado:


Depois da destruição da Avenida dos Banhos os corruptos não param e vão destruir o areal poveiro.
Ao falar-se de “Bares de Apoio”, não estamos a falar de umas barraquitas sem importância para vender gelados ou língua da sogra, estamos a falar em milhões de euros e milhares para corrupção.


Senão vejamos:


Café de “La Plage”, Enseada, Discoteca IT, do Fernando Vieira cedido à exploração a um francês por 300 mil euros, valor das obras 200 mil euros.


Diana-Bar, valores de oferta ao "Preto", que não soube aproveitar, 250 mil euros.


Guarda-Sol, valor de passe, 350 mil euros.


Barraca de Gelados, do “Malcriado” da EDP, passa-se 75.000 euros.


Budha; renda mensal paga pelos Espanhóis ao Ferreira da Costa, 15.000 euros.


BAR-Náutico, valor de construção 150 mil euros.


Bar da Praia, do Alex Arriscado, valor de passe 250 mil euros, gasto em corrupção para os três alargamentos, 50.000 euros.


Todos eles pagam irrisórias rendas ao Estado, roubaram o areal aos Poveiros, e ganham-se fortunas, a começar pelo Arquitecto do regime recomendado para toda a obra do género.


E o fim a que foram destinados? Cumprem com o seu dever?


Haja vergonha!


Amigo leitor, quero-lhe dizer que estou comigo, quer dizer, consigo.

segunda-feira, 23 de março de 2009

6 andares = 6 apartamentos de luxo


Empresário, banqueiro, ladrão ou vigarista que se preze e queira retomar a sua actividade em pleno encontra na cidade da Póvoa de Varzim um paradisíaco porto de abrigo.

Que o diga a nascida Cardoso do Monte vinda da falida Avelino Gomes do Monte.

6 pisos = 6 apartamentos de luxo.

Com o patrocínio do tão afamado BPN.

Compra aconselhável a quem queira ficar sem o dinheiro e sem o apartamento.








domingo, 8 de março de 2009

o caso quilores


Texto baseado no escrito pelo Arquitecto Silva Garcia:

Imagine-se num país real.
Quilores é militante do partido e funcionário do organismo público há muitos anos. Há tantos quantos os que partilha em diversas cumplicidades.Faz favores e recebe favores. Há muito que tira vantagem da sua posição numa instituição e noutra, e tudo ia correndo às mil maravilhas: ganhou horas extraordinárias fictícias para pagamento da fidelidade partidária; teve carro à disposição, à custa do erário público, fora do horário público; arrecadou lugares no mesmo organismo para familiares e amigos, desde que também o fosse do partido.

Em contrapartida, foi ininterruptamente cabo eleitoral, com dinâmica para todas as necessidades, e semi-serrou os olhos às irregularidades dos que lhe facultavam as vantagens.
Tudo ia correndo às mil maravilhas, até que a rotineira e perigosa sensação de impunidade, abriu brechas ao descuido, e Quilores, refém da sua própria ambição, exagerou na colheita.

De tal sorte que foi inevitável investigar.

Leal, por certo recebendo ordens dadas a contra gosto pelos responsáveis do organismo, acabou por concluir pelo desvio do pilim e de materiais comprados que não chegaram ao destino, que alegadamente o justificavam na encomenda exagerada, por terem sido desviados para o destino da merenda.Quilores, a quem cabia a gestão da obra orçamentada em 5, acabou por ficar com a diferença do custo que atingiu, inacreditavelmente, 5 vezes 5!

Cinco vezes qualquer coisa é coisa demais.

É uma tranca no olho que não pode ser disfarçada com a cor das lentes.

Vai daí, Leal nomeado investigou.

Encarregado de relatar, relatou.

O decisor que deve decidir ficou com duas opções que coloco ao leitor para decidir também ou tão bem!

Hipótese A
O decisor tem uma conversinha de trás da orelha com Quilores, encosta-o à prateleira, afasta-o do campo de outras oportunidades de delito antes que sobre para si próprio, promete-lhe uma saída sem alarido para que não fique sem a reforma, e abafa o caso para não ter que dar mais explicações.
Ah! Continuará a contar com a discrição de Quilores em relação a assuntos delicados, e com a sua colaboração em próximas campanhas.

Hipótese B
O decisor promove um sério e transparente inquérito disciplinar, enquanto determina a suspensão de funções de Quilores.

Vem a concluir, à face da lei, que tendo havido delapidação e apropriação indevida do erário público, deve ser aplicado ao infractor o mais alto castigo do estatuto da função pública, a expulsão.

Ao mesmo tempo, por ser um caso de polícia apresenta queixa ao Ministério Público contra Quilores e contra Sicrano, respectivamente, o mau funcionário e o fornecedor que fingiu vender materiais para a obra e que em vez de os entregar no estaleiro os descarregou no local indicado por Quilores.

Este é um caso real.

Qualquer semelhança com a fantasia é pura coincidência.

Por isso, como disse Eça de Queirós a Bulhão Pato, não se metam nas minhas personagens.

É apenas a realidade.

Um treino da capacidade decisória num Estado de Direito Democrático.

Ora, o que escolheria você?

A hipótese A ou a B?

Por mim, não tenho a menor dúvida, até porque a Boa iniciativa começa pela mesma inicial!





sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

financiamentos ilegais de partidos


Lisboa, 05 Fev (Lusa) -- O Diário da República publicou hoje o acórdão do Tribunal Constitucional que confirma várias irregularidades nas contas da campanha autárquica de 2005, incluindo depósitos depois das eleições, falta de comprovativos de despesa e donativos em dinheiro ilegais.
O acórdão, datado de 25 de Novembro do ano passado, determina que a informação sobre as irregularidades nas contas seja transmitida ao Ministério Público para que este decida sobre as sanções a aplicar.


Se a informação vai para o Ministério Público é para ser lá enterrada.










segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

euros e empreiteiros com gel no cabelo


Se dependesse de si, se ele mandasse, o Zé, nunca o Euro poria os ricos pés em Portugal. Zé acha que foi um dos maiores falhanços da geração dele permitir a entrada da moeda europeia no nosso país.

Estávamos tão bem com o escudo! Pensou ele enquanto era conduzido pelo Doro, o motorista.

Uma geração de revolucionários, ele, o Quim, o Zé Maria, o Praia e o Cacheira, sendo que estes dois últimos integravam a equipa dos bebés do Varzim, da qual Zé fez parte mas ninguém lembra.

Têm memória curta estes filhos da puxa! Disse ele já em voz alta, o que chamou a atenção do Doro que respondeu:

Hum!

O Euro só trouxe confusão à cabeça das pessoas e tornou-as mais esganadas. Falo por mim, pensava ele.

Um dos grandes objectivos de Zé era esclarecer os poveiros da sua geração sobre o real valor do euro.

Num gosto que pensem que os estou a enganar, pensava ele.

Oh Doro, se eu te perguntar quanto é em escudos 4 milhões de euros tu sabes?

Hum?

Coitado, nasceu na aldeia.

Zé gostava de trabalhar com os empreiteiros da geração dele, daqueles que sujavam as unhas com cimento, que ignoravam o euro, que traziam uma nota de mil escudos no bolso para dar sorte.

Como eram lindas as notas de mil escudos, pensou ele.

Zé esclarecia sempre os poveiros do valor das empreitadas em escudos. Não gostava de enganar ninguém.

Por exemplo, na obra da avenida toda a gente lhe perguntava: então são quatro milhões de contos Zé?

São shim. Como é que sabes?

Fostes tu que dissestes. É preciso tê-los no sítio.

Antão num é? Dizia Zé orgulhoso.

Os empreiteiros da sua geração punham as mulheres a cozinhar aqueles pratos tipicamente portugueses que ele tanto gostava e a mulher já não preparava desde sempre. Zé detestava o “catering”, o “take away” e o “procuração na hora”. Para ele tudo isso veio por acréscimo do euro. Um mal nunca vem só. Pensava ele. Depois rebentam as crises com esta força.

Fizessem parques subterrâneos palermas! Gritou ele com o vidro do carro aberto e dirigindo-se aos transeuntes.

Só que na altura vinha o padeiro a passar que não se conteve e gritou: baitimbora Garibalde!

Zé queria descer do carro para andar à porrada, mas depois lembrou-se que era Presidente a as eleições estão à porta. Calma Zé, calma, pensou.

Os empreiteiros da sua geração falavam em escudos, em contos de rei, em futebol e em putas. Zé entendia-se bem com eles.

Na última noite Zé apanhou um susto.

Um empreiteiro, cheio de gel no cabelo e com ar de doutor, surgiu-lhe no Gabinete. Zé pensou inicialmente que se tratava de um inspector da PJ e já ia pôr-se a mexer, como de costume: Inde chatear o carago! Pensava ele desses inspectores.

Mas não. Era um novo empreiteiro que queria entrar no mercado imobiliário poveiro.

Pá, isto tem regras, amiguinho. Avisou Zé num tom agressivo.

Sr. Zé tenho aqui um empreendimento que vai ter duzentos apartamentos, vai dar emprego a 1000 poveiros e vai custar 30 milhões de euros.

Quando ele falou em euros Zé ficou logo fodido.

30 milhões de quê pá?

De euros.

E isso dá quanto em escudos?

É só fazer a conta.

Ah! Outro Guterres, pensou Zé.

Antão ficas já a saber amiguinho, eu quero uma percentagem de 300 mil contos.

Era o que eu já tinha pensado Sr. Zé, 300 mil euros.

O quê pá? Que estás praí a dizer? 300 mil contos home.

Pois pois, até já tenho aqui o cheque de 300 mil euros prontinho.

Pega no xeque e limpa-lhe o penes. Aqui pias fininho se não acontece-te como a FODE que foi prá periferia.

Ora aqui está o chequezinho direitinho.

Assim está melhor.

E tu Buenos o que queres?

Pra mim pode ser o apartamentozinho do costume.

Zé dormiu melhor nessa noite. A adrenalina da discussão cansou-o de sobremaneira.